O dia amanheceu com previsão de 80 aa 90% de chuva e acertaram completamente: saímos do hotel debaixo de uma chuva razoável, que evoluiu rapidamente para um toró dos bons. Fizemos um breve passeio de ônibus à cúpula que resistiu à bomba atômica, ouvimos a guia falar dos motivos de Hiroshima ter sido escolhida como alvo (tempo bom no dia, ter terreno plano e um número de habitantes que servia para o estudo dos efeitos da primeira bomba atômica). Passamos por um castelo, mas não paramos - estava fechado por causa da chuva. Hiromi-san, a guia, explicou que a cidade tem muitos prédios novos porque foi destruída na guerra, e que grande parte dos castelos que nós visitamos são reconstruções, pois os antigos foram derrubados por bombas (bombas normais). Chegamos no museu da paz (como um museu que fala da guerra pode se chamar museu da paz? é pura novilíngua...) e, como eu já saí do Brasil com a resolução de não fazer este passeio, eu e Fred atravessamos a ponte e fomos nos abrigar da chuva numa Starbucks que fica no prédio da NHK, televisão japonesa, em frente a um templo cheio de cerejeiras floridas, que despetalavam devido à chuva.
Tomamos capuccino (ele) e caramel (eu), conversamos sobre a guerra, seus motivos, suas conseqüências e a ironia de falarmos nisso tudo em um Starbucks. Os americanos destruíram e ajudaram a reconstruir - nos seus termos - e a cultura americana foi assimilada pelas novas gerações a um ponto de um dos nossos companheiros de excursão afirmar que devia ser obrigatória a visita no museu para as escolas, para que os jovens compreendessem o que aconteceu e não consumirem tanto o american way of life.
Perguntei a Fred se os americanos foram processados por crimes contra a humanidade por conta da bomba atômica e ele disse "não, Tela, eles ganharam a guerra." A História é sempre escrita pelos vencedores, não é? A guia afirmou que até hoje morre gente com doenças que são conseqüência da bomba.
Com todos absolutamente arrasados no ônibus, Hiromi-san avisa que vamos pegar o ferry boat para a ilha de Miyajima, para ver o Tori Flutuante - patrimônio cultural da humanidade. Fiquei apreensiva com a idéia de pegar um barco naquela chuva, pensei que o mar estaria mexido, mas os mares internos do Japão são extremamente calmos - só mesmo com um tufão para a coisa ficar feia. A paisagem estava toda cinzenta, as fotos saíram como se tivessem um filtro. Chuva e vento = gente molhada, mesmo com guarda-chuva. Na entrada da cidade há um parque com veadinhos que vivem soltos, e os bichinhos se abrigavam como podiam, com uma cara de abuso imensa. Andamos para o templo e lá acontecia um casamento - de verdade! Como a cerimônia era em uma parte aberta, pudemos ver tudo. A noiva, o noivo e mais uns dez convidados, mais o monge e duas moças de quimono rosa que deviam ser assistentes ou madrinhas, não sei.
Sinceramente, tive medo que a noiva ficasse ofendida com duas ou três turmas de turistas do mundo todo olhando o casamento, tirando fotos e falando alto, mas, no fim, já casada, ela sorriu para o pessoal, fez sinal de paz-e-amor e parecia se divertir muito com tanta gente presente no seu casamento. Ela e o noivo usavam quimonos tradicionais, enquanto os convidados (ou parentes) usavam roupas ocidentais, ternos e tailleurs pretos. Havia um bebê e uma menina de uns cinco anos, filhos dos convidados (ou parentes).
A coordenadora do casamento de vez em quando olhava para a gente, mas estava bem compenetrada com as equipes de filmagem e fotografia. Alguém disse que chuva no dia do casamento é sinal de sorte para a noiva, pois traz fartura.
Muitos turistas no templo, ocidentais e orientais. Fred disse que também viu um casamento lá na outra viagem. Deve ser um lugar tradicional, pois é muito, muito bonito. Até debaixo d´água!
Por conta da chuva, a viagem foi mais rápida do que o normal, passamos por uma rua de lojinhas onde comprei um ímã da cidade e depois experimentamos o momoji, docinho típico da região, um bolinho em forma de folha, recheado com geléias, doce de feijão, chá verde ou chocolate. comi um de geléia de pêssego e Fred comeu de chocolate e vimos a máquina que faz os docinhos. Eram tão gostosos que me arrependi de não teer comprado mais.
Pegamos o ferry boat,voltamos para Hiroshima - que lembra, ao mesmo tempo, São Paulo - por ter muitos prédios novos, altos, cheios de luzes, muita gente na rua - e Recife, por ser plana e ter muitas pontes. Pegamos o trem-bala para kyoto e chegamos às cinco e meia da tarde, bem no horário do rush. Mais uma vez, o hotel é em frente à estação.
Descansamos do dia puxado (as roupas secaram no corpo, as pernas estão pesadas) e às oito fomos comprar alguma coisa para comer na estação, que é imensa e tem um shopping de 11 andares. Como fomos lá depois do rush, os kombinis estavam quase sem nenhum obentô e os sanduíches não deram cobiça, queríamos comida quente. Fred, exausto, não quis comer em restaurante e nos conformamos com um McDonald´s - ele pediu um quarterão duplo e, como esse mc donalds não vendia mc chicken (e cheddar só existe no brasil) fui de mc fish (fish filetto, aqui). Pedimos duas batatas grandes, voltamos pro hotel, comemos, tomei um banho demorado e vim contar como foi o dia.
Prometemos voltar ao Japão e visitar Miyajima num dia de sol :)
10.4.12
10 de abril - Beppu, Hiroshima
A guia falou que a cidade de Beppu era um destino famoso para lua-de-mel até uns 40, 50 anos atrás, o que é bem irônico: a cidade é conhecida por suas fontes termais, chamadas jigoku (infernos). então as pessoas casavam e iam passar a lua-de-mel no inferno :)
Um guia local nos informou que há 11 tipos de fontes termais no mundo, e dez estão em beppu. há águas sulfurosas, há cristalinas, há escuras cor de sangue, vimos um gêiser... a explicação para o nome "inferno" é que, antigamente, quando a natureza era mais natural, as pessoas não podiam viver em beppu porque tudo era muito instável. Sai vapor quente pela cidade inteira, do chão, mesmo. agora domaram, canalizaram, fizeram coisas bonitas, cobram ingresso para entrar e botam uma lojinha de lembranças e um templo xintoísta em quase todos os lugares (raciocínio de fred)
O jigoku que visitamos depois do gêiser (a gente espera sentado um tempão, o gêiser espirra por cinco minutos e acabou - meio blé, sinceramente) é extremaamente bonito. há lagos de água quente com diferentes características: um é bem grande, com o fundo bem verde, refletindo as árvores e as cerejeiras em flor; outro é menorzinho, com água morna, e lá são cultivadas vitórias-régias, o símbolo deste jigoku. Elas crescem e florescem mesmo no clima frio, pois a temperatura da água compensa a do ar; outro, de água azul-piscina claríssima, a guia disse que é chamado de jigoku caribenho, a água cor do mar do caribe - e cozinham ovos de galinha para vender na loja, dizem que faz muito bem à saúde. Neste sai muito vapor de água, com cheiro de enxofre - mas bem menos que em hakone. Tem o jigoku de sangue, com muito minério ferroso no fundo, dando uma impressão de sangue fervendo. ui, que medo. Perto desse poço, está uma estufa com uma grande piscina onde florescem lótus e mais algumas vitórias-régias. Nessa estufa há muitas orquídeas, buganvílias e até duas ou três bananeiras carregadinhas de pencas ainda bem verdes. Não há bananas no Japão, por conta do clima frio, e elas são importadas da Tailândia, segundo disse uma moça da excursão.
Do outro lado há toris de vermelho vibrante, que levam a um pequeno templo no alto de uma ladeirinha.Que vista linda!
Aprendi há poucos dias mais um costume japonês: muitas atrações turísticas disponibilizam carimbos para que as pessoas carimbem cartões-postais como lembrança do lugar. Carimbei meu caderno e dois postais no gêiser e no jigoku.
Depois das visitas do dia, pegamos um trem-bala para Hakata (já estivemos lá antes, fazendo baldeação). Esse trem, apesar de bonito, era muito instável, balançava horrivelmente e eu fiquei enjoada. Em Hakata pegamos um trem-bala decente para Hiroshima, e eu dormi a viagem quase toda.
Chegamos no fim da tarde e caminhamos um bom pedaço até o hotel. Fred, que carrega uma bolsa de viagem, sofreu, coitado. Minha mochila tem rodinha, então não foi difícil prá mim.
Pouco depois das sete da noite, saímos com a guia para comer o prato típico da cidade: okonomiyaki. Eu achava, pelas fotos, que era algo como uma panquecona ou um omeletão, mas é mais para um mexido. Fazem uma base de ovo frito, onde colocam repolho, macarrão (fino ou grosso) e bacon ou lula ou camarão ou ostra ou tudo junto. Servem com um molho grosso e escuro, tipo barbecue. Se o freguês quiser ainda vai uma cuia grande de cebolinha verde por cima.
Fred pediu o especial e limpou o prato. Eu só consegui comer metade e saí bem cheia. Na mesa, só o Fred comeu tudo :)
O okonomiyaki é feito na chapa, na frente dos fregueses, mas a gente ficou numa mesa. Os restaurantes estavam cheios com o pessoal saindo do trabalho e alguns estudantes. Um rapaz de terno sentou no banco em frente à chapa e levou vapor na cara o tempo todo enquanto o chef preparava a comida - mas nem ligou, deve estar acostumado. De lá, o grupo foi comprar doces típicos e eu e fred voltamos para o hotel. Compramos um rocambole confeitado como um gatinho e comemos aqui. Estava macio e úmido e não muito doce, pão-de-ló de chocolate, recheio de creme e cobertura de um ganache molinho de chocolate, todo trabalhado no bico de confeitar.
Este hotel é bonito por fora, mas o nosso quarto não é muito bom. A vista é o fundo dos prédios da rua e ouvimos o trem passar a noite toda. O banheiro é ainda menor do que o de Beppu - ou entra a pessoa, ou entra o sabonete, mas a banheira é bem funda, vai acima do meu joelho. pena que é bem estreitinha.
tudo é extremamente organizado e limpo. hordas e hordas de turistas - e nem um papelzinho no chão. é de emocionar uma pessoa.
comprei sais de banho no Myoban Yumosato - eles são extraídos de maneira artesanal desde a época meiji (século 18-19) e tomei banho com eles. dizem que são medicinais e que as pessoas da região tem melhor saúde e menos rugas que os outros. um bom caso de marketing :)
Nesse mesmo local eles cozinham milho e bolinhos de arroz no vapor das águas termais. Os bolinhos de arroz estão enrolados em alguma folha, parece folha de bananeira. Lembram uma pamonha triangular, ou o bolo de puba que é assado em folha de bananeira no sertão de Pernambuco.
Um guia local nos informou que há 11 tipos de fontes termais no mundo, e dez estão em beppu. há águas sulfurosas, há cristalinas, há escuras cor de sangue, vimos um gêiser... a explicação para o nome "inferno" é que, antigamente, quando a natureza era mais natural, as pessoas não podiam viver em beppu porque tudo era muito instável. Sai vapor quente pela cidade inteira, do chão, mesmo. agora domaram, canalizaram, fizeram coisas bonitas, cobram ingresso para entrar e botam uma lojinha de lembranças e um templo xintoísta em quase todos os lugares (raciocínio de fred)
O jigoku que visitamos depois do gêiser (a gente espera sentado um tempão, o gêiser espirra por cinco minutos e acabou - meio blé, sinceramente) é extremaamente bonito. há lagos de água quente com diferentes características: um é bem grande, com o fundo bem verde, refletindo as árvores e as cerejeiras em flor; outro é menorzinho, com água morna, e lá são cultivadas vitórias-régias, o símbolo deste jigoku. Elas crescem e florescem mesmo no clima frio, pois a temperatura da água compensa a do ar; outro, de água azul-piscina claríssima, a guia disse que é chamado de jigoku caribenho, a água cor do mar do caribe - e cozinham ovos de galinha para vender na loja, dizem que faz muito bem à saúde. Neste sai muito vapor de água, com cheiro de enxofre - mas bem menos que em hakone. Tem o jigoku de sangue, com muito minério ferroso no fundo, dando uma impressão de sangue fervendo. ui, que medo. Perto desse poço, está uma estufa com uma grande piscina onde florescem lótus e mais algumas vitórias-régias. Nessa estufa há muitas orquídeas, buganvílias e até duas ou três bananeiras carregadinhas de pencas ainda bem verdes. Não há bananas no Japão, por conta do clima frio, e elas são importadas da Tailândia, segundo disse uma moça da excursão.
Do outro lado há toris de vermelho vibrante, que levam a um pequeno templo no alto de uma ladeirinha.Que vista linda!
Aprendi há poucos dias mais um costume japonês: muitas atrações turísticas disponibilizam carimbos para que as pessoas carimbem cartões-postais como lembrança do lugar. Carimbei meu caderno e dois postais no gêiser e no jigoku.
Depois das visitas do dia, pegamos um trem-bala para Hakata (já estivemos lá antes, fazendo baldeação). Esse trem, apesar de bonito, era muito instável, balançava horrivelmente e eu fiquei enjoada. Em Hakata pegamos um trem-bala decente para Hiroshima, e eu dormi a viagem quase toda.
Chegamos no fim da tarde e caminhamos um bom pedaço até o hotel. Fred, que carrega uma bolsa de viagem, sofreu, coitado. Minha mochila tem rodinha, então não foi difícil prá mim.
Pouco depois das sete da noite, saímos com a guia para comer o prato típico da cidade: okonomiyaki. Eu achava, pelas fotos, que era algo como uma panquecona ou um omeletão, mas é mais para um mexido. Fazem uma base de ovo frito, onde colocam repolho, macarrão (fino ou grosso) e bacon ou lula ou camarão ou ostra ou tudo junto. Servem com um molho grosso e escuro, tipo barbecue. Se o freguês quiser ainda vai uma cuia grande de cebolinha verde por cima.
Fred pediu o especial e limpou o prato. Eu só consegui comer metade e saí bem cheia. Na mesa, só o Fred comeu tudo :)
O okonomiyaki é feito na chapa, na frente dos fregueses, mas a gente ficou numa mesa. Os restaurantes estavam cheios com o pessoal saindo do trabalho e alguns estudantes. Um rapaz de terno sentou no banco em frente à chapa e levou vapor na cara o tempo todo enquanto o chef preparava a comida - mas nem ligou, deve estar acostumado. De lá, o grupo foi comprar doces típicos e eu e fred voltamos para o hotel. Compramos um rocambole confeitado como um gatinho e comemos aqui. Estava macio e úmido e não muito doce, pão-de-ló de chocolate, recheio de creme e cobertura de um ganache molinho de chocolate, todo trabalhado no bico de confeitar.
Este hotel é bonito por fora, mas o nosso quarto não é muito bom. A vista é o fundo dos prédios da rua e ouvimos o trem passar a noite toda. O banheiro é ainda menor do que o de Beppu - ou entra a pessoa, ou entra o sabonete, mas a banheira é bem funda, vai acima do meu joelho. pena que é bem estreitinha.
tudo é extremamente organizado e limpo. hordas e hordas de turistas - e nem um papelzinho no chão. é de emocionar uma pessoa.
comprei sais de banho no Myoban Yumosato - eles são extraídos de maneira artesanal desde a época meiji (século 18-19) e tomei banho com eles. dizem que são medicinais e que as pessoas da região tem melhor saúde e menos rugas que os outros. um bom caso de marketing :)
Nesse mesmo local eles cozinham milho e bolinhos de arroz no vapor das águas termais. Os bolinhos de arroz estão enrolados em alguma folha, parece folha de bananeira. Lembram uma pamonha triangular, ou o bolo de puba que é assado em folha de bananeira no sertão de Pernambuco.
9.4.12
9 de abril - Nagasaki, Kumamoto, Beppu
Saímos de ônibus de Nagasaki em direção ao porto Taíra, onde pegamos o ferry boat com destino à ilha de Kumamoto. subimos para o deck do ferry boat, onde as gaivotas começaram a nos seguir - tem uma lojinha lá dentro que vende um pãozinho para alimentar as gaivotas, muito barato, só 100 yens (uma água mineral, 500 ml, sai a 120 yens, dependendo do lugar onde está a vending machine)
Menino, as gaivotas endoidam com o pãozinho! comprei um e elas vieram voando pegar na minha mão, uma gritaria danada, mais de 50 gaivotas voando, planando, gritando umas com as outras e bicando o pão - e os dedos - das pessoas. Fred fez um filme, assim que der eu subo pro youtube.
Um frio miserável agravado pelo vento forte; havia uma vending machine que servia comida quente - comprei uma batata frita que não estava essas coisas todas, mas estava quente e salgada. entramos para comer no restaurante (bem, não é restaurante, mas são mesas e assentos estilo dining anos 50). A viagem, de pouco mais de uma hora, passou ligeirinho.
Pegamos a estrada novamente com destino a Kumamoto e ao castelo de Kumamoto, que é uma réplica do castelo do século XVI - o original foi destruído na guerra, só sobrando uma torre de vigia. Mesmo sendo réplica, é imponente e majestoso e ninguém diz que foi refeito. As cerejeiras estão em flor, mas já estão caindo as pétalas, como na abertura do desenho Sakura Card Captors. Subi os cinco andares de escada para ter a visão lá do alto, que vai até aonde a vista alcança. O castelo tem várias muralhas e fossos, e o daimiyo que o construiu sabia muito bem o que estava fazendo. há seteiras no castelo e locais de onde despejavam óleo fervente nos inimigos. De tanto andar, subir e descer, as minhas pernas começaram a tremer e eu precisei sentar, descansar e beber bastante água para melhorar. Mas valeu a pena! o local estava cheio de turistas, ocidentais e japoneses. muitos velhinhos em cadeiras de roda...
Saímos por volta de meio dia, fomos almoçar na estação de trem, comemos um delicioso tempura - se eu pudesse, tempura seria meu café, almoço e jantar - e continuamos, de ônibus, no caminho de Beppu.
Paramos em um museu de beira de estrada, com aparência muito simples e nenhuma cara de museu. Já estava achando uma perda de tempo quando percebi a imensa coleção de carros, motos, pôsteres, brinquedos, móveis, vitrais, enfim, todo tipo de traquitana que o museu abriga. É uma coleção particular e abrange o período Showa (1926 a 1989), com direito a topo gigio, super homem e até a carenagem de um avião do tempo da guerra e um carro de corrida que tem uma foto do Piquet ao lado - como não há nenhuma identificação e o carro está todo pintado de branco, não sei qual a relação dos dois. No primeiro andar do museu há carruagens com esculturas de cavalo no tamanho natural, um carro preto com bandeira nazista, motos com sidecar duplo, um enorme ganesha esculpido em madeira... uma verdadeira profusão de relíquias que não têm uma organização muito clara, mas que é muito interessante.
Chegamos finalmente a Beppu, cidade que tem mar, montanha e floresta, além de fontes termais conhecidas em todo o Japão. Por toda a cidade se vê fumacinha saindo da terra - parece uma fogueirinha, mas não é. É vapor e, felizmente, sem cheiro nenhum.
Fui com o grupo e a guia Tomoko-san ao shopping perto do hotel, onde comprei uma pizza para fred enquanto o grupo jantava em um restaurante próximo. Só que dessa vez não houve como comprar sem falar japonês, e paguei o maior mico da minha vida: me servi de pizza no buffet, chamei a garçonete e pedi "to go". Ela não entendeu, sorriu e chamou outra garçonete, que também não entendeu, sorriu e chamou um cozinheiro, que também não entendeu, sorriu e chamou o chef. Tentei fazer mímicas, eles tentaram me responder, todos sorrimos muito, envergonhados, pedindo desculpas uns aos outros. Eu já tinha comprado a pizza e precisava pagar, mas não ia comer lá. Por fim, não tinha como fazerem para viagem e nem consegui que me dessem guardanapo. Peguei a pizza, coloquei direto na sacola de plástico de uma compra anterior, paguei e saí, sorrindo e me desculpando por não falar japonês. Encontrei o grupo e a guia ficou mortificada por eu ter passado por isso tudo, mas eu a acalmei. no shopping há um supermercado e nós compramos uns obentôs vazios para trazer comida - assim, eu não passaria de novo por esse problema. Fomos para o terceiro andar e eu comprei guioza para o jantar, e lá, finalmente, nos serviram para viagem - com a guia fazendo o pedido, obviamente - e o atendente, muito gentil, cedeu uma quentinha para a minha pizza.
Voltamos para o hotel, jantamos a pizza e o guiosa e fim da história.
Menino, as gaivotas endoidam com o pãozinho! comprei um e elas vieram voando pegar na minha mão, uma gritaria danada, mais de 50 gaivotas voando, planando, gritando umas com as outras e bicando o pão - e os dedos - das pessoas. Fred fez um filme, assim que der eu subo pro youtube.
Um frio miserável agravado pelo vento forte; havia uma vending machine que servia comida quente - comprei uma batata frita que não estava essas coisas todas, mas estava quente e salgada. entramos para comer no restaurante (bem, não é restaurante, mas são mesas e assentos estilo dining anos 50). A viagem, de pouco mais de uma hora, passou ligeirinho.
Pegamos a estrada novamente com destino a Kumamoto e ao castelo de Kumamoto, que é uma réplica do castelo do século XVI - o original foi destruído na guerra, só sobrando uma torre de vigia. Mesmo sendo réplica, é imponente e majestoso e ninguém diz que foi refeito. As cerejeiras estão em flor, mas já estão caindo as pétalas, como na abertura do desenho Sakura Card Captors. Subi os cinco andares de escada para ter a visão lá do alto, que vai até aonde a vista alcança. O castelo tem várias muralhas e fossos, e o daimiyo que o construiu sabia muito bem o que estava fazendo. há seteiras no castelo e locais de onde despejavam óleo fervente nos inimigos. De tanto andar, subir e descer, as minhas pernas começaram a tremer e eu precisei sentar, descansar e beber bastante água para melhorar. Mas valeu a pena! o local estava cheio de turistas, ocidentais e japoneses. muitos velhinhos em cadeiras de roda...
Saímos por volta de meio dia, fomos almoçar na estação de trem, comemos um delicioso tempura - se eu pudesse, tempura seria meu café, almoço e jantar - e continuamos, de ônibus, no caminho de Beppu.
Paramos em um museu de beira de estrada, com aparência muito simples e nenhuma cara de museu. Já estava achando uma perda de tempo quando percebi a imensa coleção de carros, motos, pôsteres, brinquedos, móveis, vitrais, enfim, todo tipo de traquitana que o museu abriga. É uma coleção particular e abrange o período Showa (1926 a 1989), com direito a topo gigio, super homem e até a carenagem de um avião do tempo da guerra e um carro de corrida que tem uma foto do Piquet ao lado - como não há nenhuma identificação e o carro está todo pintado de branco, não sei qual a relação dos dois. No primeiro andar do museu há carruagens com esculturas de cavalo no tamanho natural, um carro preto com bandeira nazista, motos com sidecar duplo, um enorme ganesha esculpido em madeira... uma verdadeira profusão de relíquias que não têm uma organização muito clara, mas que é muito interessante.
Chegamos finalmente a Beppu, cidade que tem mar, montanha e floresta, além de fontes termais conhecidas em todo o Japão. Por toda a cidade se vê fumacinha saindo da terra - parece uma fogueirinha, mas não é. É vapor e, felizmente, sem cheiro nenhum.
Fui com o grupo e a guia Tomoko-san ao shopping perto do hotel, onde comprei uma pizza para fred enquanto o grupo jantava em um restaurante próximo. Só que dessa vez não houve como comprar sem falar japonês, e paguei o maior mico da minha vida: me servi de pizza no buffet, chamei a garçonete e pedi "to go". Ela não entendeu, sorriu e chamou outra garçonete, que também não entendeu, sorriu e chamou um cozinheiro, que também não entendeu, sorriu e chamou o chef. Tentei fazer mímicas, eles tentaram me responder, todos sorrimos muito, envergonhados, pedindo desculpas uns aos outros. Eu já tinha comprado a pizza e precisava pagar, mas não ia comer lá. Por fim, não tinha como fazerem para viagem e nem consegui que me dessem guardanapo. Peguei a pizza, coloquei direto na sacola de plástico de uma compra anterior, paguei e saí, sorrindo e me desculpando por não falar japonês. Encontrei o grupo e a guia ficou mortificada por eu ter passado por isso tudo, mas eu a acalmei. no shopping há um supermercado e nós compramos uns obentôs vazios para trazer comida - assim, eu não passaria de novo por esse problema. Fomos para o terceiro andar e eu comprei guioza para o jantar, e lá, finalmente, nos serviram para viagem - com a guia fazendo o pedido, obviamente - e o atendente, muito gentil, cedeu uma quentinha para a minha pizza.
Voltamos para o hotel, jantamos a pizza e o guiosa e fim da história.
8 de abril - Okayama e Nagasaki
Saímos super cedo do hotel - o despertador tocou cinco e meia da manhã! como a guia disse, "ônibus espera, trem-bala não espera". A estação de Okayama fica em frente do hotel, foi só cruzar pela passarela e pegar o trem-bala para Nagasaki. Esse trem-bala era mais novo, com poltronas mais confortáveis do que o do avião da Air Canada que nos trouxe ao japão. 3 horas de trem-bala, chegamos a Hakata, onde trocamos de trem para Nagasaki. Esse era um trem normal e bem pobrinho, viemos com o sol forte e o ar condicionado simplesmente não deu conta. Passamos por diversas cidades pequenas, mais pobres, com algumas pichações e prédios abandonados. Também vimos muitos campos ainda sem plantio, e estufas de morango. Enfim, depois de duas horas (isso, já estávamos viajando há cinco horas), chegamos a Nagasaki.
Antes de cair a bomba, Nagasaki era conhecida por ter sido o primeiro porto de entrada de estrangeiros no Japão - os primeiros ocidentais a chegarem aqui foram portugueses, vítimas de um naufrágio, no século XVI. Depois vieram mais europeus, trazendo padres jesuítas que difundiram o cristianismo na cidade. O xógun não gostou, mandou fechar os portos, confinou os europeus em um gueto - muito bonito, de casas grandes no estilo ocidental, mas ainda assim um gueto - e proibiu o cristianismo no Japão. Muita gente morreu e muitos cristãos passaram a se esconder, chegando a ter uma imagem de Maria no estilo oriental, chamada de Maria Canon - mais ou menos como chamar Yemanjá de Nossa Senhora, um sincretismo oriental. Há muitas lojas e comidas com influência portuguesa, como um bolo, estilo pão-de-ló, chamado Castela, e há estátuas de holandeses também, no estilo de Maurício de Nassau.
Em Nagasaki subimos uma ladeira maior do que as de Olinda, extremamente íngreme, para conhecer uma igreja católica Oura, que foi visitada pelo papa João Paulo II. Apesar de estar aberta e ser domingo de páscoa, não havia padre e nem celebração - de toda a população do país, só um por cento é de católicos, o que prova que a proibição do Xógun surtiu efeito. A igreja, em si, é praticamente igual a todas as igrejas do Brasil, não é muito grande e nem luxuosa. O que eu gostei foi do museu do lado, com a imagem de Maria Canon. Bem perto da igreja fica a Mansão Glover, casarão de um escocês, o lorde Glover, que morou no Japão no século XVIII e se apaixonou pelo país e pela japonesa Tsuru. É um casarão de três andares, com varandão, estilo ocidental - com um certo ar português. Os jardins são muito lindos e têm uma vista privilegiada da baía e do porto de Nagasaki. A casa foi cenário da ópera Madame Butterfly, e tem uma estátua da cantora japonesa que interpretava esse papel e de Puccini, o autor da ópera.
Saindo da Mansão, passamos pela praça que é o epicentro da bomba atômica; está cercada por cerejeiras e muitos monumentos. Vimos alguns destroços que foram preservados da época da guerra, seguimos para a praça da paz, onde estão estátuas enviadas por diversos países como um pedido de paz mundial; a mais bonita, na minha opinião, é a de uma mulher em pé, encostada em um rochedo, olhando para três pombas. A do Brasil também está lá, é o contorno do mapa com uma inscrição em japonês e um pombo pousado mais ou menos no alto do Maranhão. Por uma imensa coincidência, foi o irmão de uma das participantes da excursão que fez a escultura; é uma senhora muito velhinha que todos chamamos de obachan, "vovó".
´Lá também há uma fonte de água potável, sempre em movimento, como uma oferenda ao mortos da guerra - em uma pedra, está gravado o trecho de um diário de uma menina que sobreviveu à bomba, mas, com muita sede, bebeu água contaminada e morreu. então, a fonte é uma oferenda às almas dos que tiveram sede, e há, em outro lugar da praça, um local onde visitantes deixam garrafas de água mineral em intenção delas.
Deixamos a praça com o coração triste, e a guia nos levou para uma lojaa de pérolas. é uma loja chinesa, com muito dourado, vermelho e muita coisa espantosamente brega, como porquinhos, coelhos, dragões e até um manekineko cobertos de pérolas cultivadas. desnecessário dizer que são caríssimos.
Nessa loja há desde as pérolas cultivadas até as pérolas verdadeiras, que chegam a custar mais de 30 mil reais o colar. O legal é que há a possibilidade de escolher uma ostra, abrir e, se tiver pérola, mandar incrustar em pingente para colar, anel ou chaveiro. Claro que eu fui abrir uma, e dei sorte! por 500 yens, abri a ostra - se não tivesse pérola, bem, paciência, mas tinha! iei! O ourives colocou na hora num colar, como um pingentinho, foi presente do Fred.
Fomos para o hotel depois de todas essas emoções. Dormi muito mal, acordei 3 e meia da manhã.
Antes de cair a bomba, Nagasaki era conhecida por ter sido o primeiro porto de entrada de estrangeiros no Japão - os primeiros ocidentais a chegarem aqui foram portugueses, vítimas de um naufrágio, no século XVI. Depois vieram mais europeus, trazendo padres jesuítas que difundiram o cristianismo na cidade. O xógun não gostou, mandou fechar os portos, confinou os europeus em um gueto - muito bonito, de casas grandes no estilo ocidental, mas ainda assim um gueto - e proibiu o cristianismo no Japão. Muita gente morreu e muitos cristãos passaram a se esconder, chegando a ter uma imagem de Maria no estilo oriental, chamada de Maria Canon - mais ou menos como chamar Yemanjá de Nossa Senhora, um sincretismo oriental. Há muitas lojas e comidas com influência portuguesa, como um bolo, estilo pão-de-ló, chamado Castela, e há estátuas de holandeses também, no estilo de Maurício de Nassau.
Em Nagasaki subimos uma ladeira maior do que as de Olinda, extremamente íngreme, para conhecer uma igreja católica Oura, que foi visitada pelo papa João Paulo II. Apesar de estar aberta e ser domingo de páscoa, não havia padre e nem celebração - de toda a população do país, só um por cento é de católicos, o que prova que a proibição do Xógun surtiu efeito. A igreja, em si, é praticamente igual a todas as igrejas do Brasil, não é muito grande e nem luxuosa. O que eu gostei foi do museu do lado, com a imagem de Maria Canon. Bem perto da igreja fica a Mansão Glover, casarão de um escocês, o lorde Glover, que morou no Japão no século XVIII e se apaixonou pelo país e pela japonesa Tsuru. É um casarão de três andares, com varandão, estilo ocidental - com um certo ar português. Os jardins são muito lindos e têm uma vista privilegiada da baía e do porto de Nagasaki. A casa foi cenário da ópera Madame Butterfly, e tem uma estátua da cantora japonesa que interpretava esse papel e de Puccini, o autor da ópera.
Saindo da Mansão, passamos pela praça que é o epicentro da bomba atômica; está cercada por cerejeiras e muitos monumentos. Vimos alguns destroços que foram preservados da época da guerra, seguimos para a praça da paz, onde estão estátuas enviadas por diversos países como um pedido de paz mundial; a mais bonita, na minha opinião, é a de uma mulher em pé, encostada em um rochedo, olhando para três pombas. A do Brasil também está lá, é o contorno do mapa com uma inscrição em japonês e um pombo pousado mais ou menos no alto do Maranhão. Por uma imensa coincidência, foi o irmão de uma das participantes da excursão que fez a escultura; é uma senhora muito velhinha que todos chamamos de obachan, "vovó".
´Lá também há uma fonte de água potável, sempre em movimento, como uma oferenda ao mortos da guerra - em uma pedra, está gravado o trecho de um diário de uma menina que sobreviveu à bomba, mas, com muita sede, bebeu água contaminada e morreu. então, a fonte é uma oferenda às almas dos que tiveram sede, e há, em outro lugar da praça, um local onde visitantes deixam garrafas de água mineral em intenção delas.
Deixamos a praça com o coração triste, e a guia nos levou para uma lojaa de pérolas. é uma loja chinesa, com muito dourado, vermelho e muita coisa espantosamente brega, como porquinhos, coelhos, dragões e até um manekineko cobertos de pérolas cultivadas. desnecessário dizer que são caríssimos.
Nessa loja há desde as pérolas cultivadas até as pérolas verdadeiras, que chegam a custar mais de 30 mil reais o colar. O legal é que há a possibilidade de escolher uma ostra, abrir e, se tiver pérola, mandar incrustar em pingente para colar, anel ou chaveiro. Claro que eu fui abrir uma, e dei sorte! por 500 yens, abri a ostra - se não tivesse pérola, bem, paciência, mas tinha! iei! O ourives colocou na hora num colar, como um pingentinho, foi presente do Fred.
Fomos para o hotel depois de todas essas emoções. Dormi muito mal, acordei 3 e meia da manhã.
8.4.12
07 de abril - trem bala!
Saímos de Atami às dez da manhã, pegamos o trem-bala para Okayama. Na estação, compramos obentôs para o almoço (eu e fred comemos onigiris, bolinhos de arroz recheados - ele comeu de carne de porco, eu comi de atum). Somos os únicos 100% ocidentais do grupo, há japoneses (uma obachan e um oji-san, vovó e vovô) e muitos descendentes. Os obentôs são lindos de se ver, coloridos e variados. hoje eles vêm em caixas de plástico, antigamente eram de madeira laqueada.
o trem bala é rápido, confortável e nem parece correr sobre trilhos. parece um avião sem turbulência. viajamos em um trem mais antigo, dos anos 90, sem wi-fi, mas com tomada para carregar celular ou ligar laptop.
Okayama é muito bonita; assim que chegamos, pegamos o ônibus para ver a ponte Seto Ohashi, um marco da engenharia japonesa. liga cinco ilhas e tem dois níveis: no de baixo, passa o trem, no de cima é a rodovia. e cada trecho da ponte tem seu próprio estilo, e eles são harmoniosos, fica bem bonito. Paramos num mirante, tiramos fotos, compramos comida - estou viciada no melon bread, um pão doce com crosta açucarada, que lembra um porco-espinho. tinha uma barraquinha vendendo pão fresquinho, que delícia!
de lá pegamos um trânsito infernal para visitar o jardin Korakuen terceiro jardim japonês mais bonito do país, feito por ordem do senhor feudal (daimiyo) Ikeda Tsunamasa, no século XVII, é um jardim imenso, lindíssimo, com lagos, toris, cerejeiras e mais cerejeiras, pinheiros, patinhos, cisnes e tsurus. infelizmente, chegamos às cinco da tarde e o castelo estava fechado para visitação - e o parque fechava às seis! visitamos correndo, no que eu considero um grave erro de logística: era para termos visitado o jardim antes e depois a ponte, pois PONTE NÃO FECHA. e, com o sol já fraco no céu e o vento gelado, a sensação térmica era de temperatura negativa. mesmo com luva, minhas mãos ficaram geladas e o rosto doía de frio. o casacão me esquentou bem, não pensei que ele fosse tão bom :)
enquanto nós, ocidentais, reclamamos do frio, os japoneses faziam o hana-mi, a celebração da floração das cerejeiras: eles abrem grandes plásticos azuis, se sentam perto das árvores, comem, bebem saquê, celebram a vida. a guia disse que há muitos bêbados na época do hana-mi, e que um dos primeiros trabalhos dos recém-formados que começam a trabalhar - os estagiários - é organizar a festa dos colegas de trabalho, estendendo o plástico, servindo saquê, cuidando do fogareiro para assar carnes... e que, enquanto a gente saía às seis do parque, o pessoal ia ficar até dez da noite do lado de fora, nas cerejeiras que margeiam o rio.
chegamos no hotel mais de sete da noite, devido ao trânsito. o hotel foi o mais luxoso até agora, mas o frio estava tão forte que não dava coragem de sair para jantar; compramos macarronada no kombini, eles esquentaram no microondas da loja, comemos no quarto e fomos dormir. a lua cheia estava linda, o janelão do quarto ia do teto ao chão - o que é o normal aqui. prá variar, acordei quatro e meia da manhã.
o trem bala é rápido, confortável e nem parece correr sobre trilhos. parece um avião sem turbulência. viajamos em um trem mais antigo, dos anos 90, sem wi-fi, mas com tomada para carregar celular ou ligar laptop.
Okayama é muito bonita; assim que chegamos, pegamos o ônibus para ver a ponte Seto Ohashi, um marco da engenharia japonesa. liga cinco ilhas e tem dois níveis: no de baixo, passa o trem, no de cima é a rodovia. e cada trecho da ponte tem seu próprio estilo, e eles são harmoniosos, fica bem bonito. Paramos num mirante, tiramos fotos, compramos comida - estou viciada no melon bread, um pão doce com crosta açucarada, que lembra um porco-espinho. tinha uma barraquinha vendendo pão fresquinho, que delícia!
de lá pegamos um trânsito infernal para visitar o jardin Korakuen terceiro jardim japonês mais bonito do país, feito por ordem do senhor feudal (daimiyo) Ikeda Tsunamasa, no século XVII, é um jardim imenso, lindíssimo, com lagos, toris, cerejeiras e mais cerejeiras, pinheiros, patinhos, cisnes e tsurus. infelizmente, chegamos às cinco da tarde e o castelo estava fechado para visitação - e o parque fechava às seis! visitamos correndo, no que eu considero um grave erro de logística: era para termos visitado o jardim antes e depois a ponte, pois PONTE NÃO FECHA. e, com o sol já fraco no céu e o vento gelado, a sensação térmica era de temperatura negativa. mesmo com luva, minhas mãos ficaram geladas e o rosto doía de frio. o casacão me esquentou bem, não pensei que ele fosse tão bom :)
enquanto nós, ocidentais, reclamamos do frio, os japoneses faziam o hana-mi, a celebração da floração das cerejeiras: eles abrem grandes plásticos azuis, se sentam perto das árvores, comem, bebem saquê, celebram a vida. a guia disse que há muitos bêbados na época do hana-mi, e que um dos primeiros trabalhos dos recém-formados que começam a trabalhar - os estagiários - é organizar a festa dos colegas de trabalho, estendendo o plástico, servindo saquê, cuidando do fogareiro para assar carnes... e que, enquanto a gente saía às seis do parque, o pessoal ia ficar até dez da noite do lado de fora, nas cerejeiras que margeiam o rio.
chegamos no hotel mais de sete da noite, devido ao trânsito. o hotel foi o mais luxoso até agora, mas o frio estava tão forte que não dava coragem de sair para jantar; compramos macarronada no kombini, eles esquentaram no microondas da loja, comemos no quarto e fomos dormir. a lua cheia estava linda, o janelão do quarto ia do teto ao chão - o que é o normal aqui. prá variar, acordei quatro e meia da manhã.
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